Coluna de: Dr. Fábio Ravaglia - Ortopedia e Saúde

No Brasil, o trânsito mata mais de 40 mil pessoas por ano. Em 2010, foram 40.610 vítimas fatais, uma média de 111 pessoas por dia. É o maior número dos últimos 15 anos, segundo o Ministério da Saúde. As internações beiraram 146 mil, um crescimento de 15% se comparado ao ano anterior. O maior número de óbitos se refere a acidentes que envolveram motos, com 10.134 vidas perdidas, seguido por pedestres, com 9.078, automóveis 8.659, ciclistas 1.453 e veículos de transporte pesado 738. O trânsito no Brasil mata mais do que uma guerra (no Afganistão, morreram pouco mais de 11 mil pessoas em dez anos de batalhas). As despesas com os acidentes de trânsito custam bilhões aos cofres públicos.
De acordo com estatísticas da Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 1,3 milhão de pessoas morrem por ano nas estradas do mundo. Traumatismo causado por acidente de trânsito foi a décima causa de mortes no planeta em 2004 e o alarmante é que em 2030 será a quinta causa de mortes, segundo estimativa feita pela OMS. Diante destes números, a OMS lançou a Década de Ação para a Segurança do Trânsito, uma campanha incentivada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para mobilizar a comunidade mundial em prol da redução de fatores de riscos de acidentes até 2021. Os dados são mesmo preocupantes e a chamada da ONU tem como meta salvar 5 milhões de vidas nos próximos dez anos.
A campanha é para envolver os mais diversos setores da sociedade em variadas iniciativas em prol da diminuição da violência no trânsito. Entendo que cada um precise fazer a sua parte para que o trânsito possa se tornar mais amigável e menos letal. O Brasil ainda está longe de ter uma frota de carros com todos os equipamentos desenvolvidos pela indústria automotiva, apesar de alguns passos já terem sido dados: o uso do cinto de segurança é obrigatório para todos os ocupantes de veículos; assentos especiais para crianças são lei; airbags frontais serão exigidos nos novos modelos a partir do próximo ano; e o uso de capacete é obrigatório para circular com moto, o que seria muito bom se adotado também por todos os ciclistas. As próprias pessoas podem zelar mais pela sua segurança. Mortes poderiam ser evitadas se todos usassem os equipamentos de segurança e
muitas lesões poderiam ser evitadas apenas com um pouco de cautela.
O cinto é fundamental para a segurança de todos, inclusive para as gestantes. O cinto de três pontos deve ser posicionado na parte de baixo da barriga, na região pélvica, bem próximo às coxas; a torácica deve ficar na altura do ombro e, diagonalmente, no meio do peito, como normalmente é indicado para todas as pessoas; nunca deve ficar em cima do útero. O lugar mais seguro do carro é o banco de trás, por isso, crianças com menos de 12 anos ficam mais protegidas se viajarem no banco traseiro, no acento apropriado com sistema de retenção adequado ao tamanho da criança, bem fixado na região central do banco do carro. Motociclistas precisam trajar-se adequadamente. Capacete é obrigatório. O código de Trânsito Brasileiro (CTB) não regulamenta a bota como item obrigatório, mas proíbe calçado que não se firme nos pés ou que comprometa a utilização dos pedais, portanto, chinelos não são permitidos. Botas reforçadas amenizam a gravidade de algumas lesões, principalmente de tornozelo e canela. Lembrar de usar jaqueta, luvas e calças compridas, que também protegem o corpo.
Motoristas e passageiros
No trânsito, o melhor é estar atento, sempre cuidando da segurança de todos, motoristas, motociclistas, ciclistas, passageiros e pedestres. O estudo de normas de direção defensiva é essencial. Cumprir a legislação e ser cidadão, praticando as regras da boa convivência social, inclusive com gentileza, são atitudes que podem evitar muitos transtornos. Adotar posturas corporais corretas também pode contribuir para evitar lesões mais graves em caso de acidente. Dirigir com a postura corporal incorreta em um simples abalroamento pode provocar machucados mais sérios, além de levar a vários problemas de saúde, como lombalgia, hérnia de disco, tendinite e bursite nos ombros. Por isso, acomode-se corretamente no banco antes de iniciar esta tarefa. A distância do banco em relação aos pedais deve permitir que os joelhos fiquem flexionados, de forma que, ao acionar os pedais, eles também continuem levemente flexionados (130º), sem que os quadris se movimentem. Em uma colisão, o natural é que os joelhos se dobrem com o impacto, portanto, já estarão em uma posição mais ideal ideal e com espaço para que subam um pouco mais. Os pés e tornozelos devem ficar levemente flexionados, a um ângulo de 120º. O tronco deve ficar reto e apoiado no encosto e a distância do volante é calculada pelo tamanho dos braços. Para isto, estique os braços para frente e encoste o pulso no volante (em ônibus e caminhão o pulso deve ser colocado na parte de cima do volante), para que quando segurar o volante, o ângulo formado pelo braço e pelo antebraço tenha em torno de 130º. Os punhos nunca devem ficar dobrados e sim alinhados com o antebraço. Ajuste o banco do condutor de maneira a ficar com a postura correta e que não gere esforços desnecessários para realizar manobras, comandar os pedais ou trocar as marchas. A palma da mão deve ser colocada no topo da alavanca para trocar as marchas. O motorista precisa ter visão de todo o vidro da frente e do painel de instrumentos. Os veículos mais modernos contam com bancos com mais pontos para ajustes, que podem facilitar os diferentes biotipos. Quem é muito baixo pode sentar-se em uma almofada. O encosto da cabeça de todos os ocupantes precisa ser ajustado à parte posterior do crânio, acima da nuca, em linha com a altura dos olhos. A cabeça deve ficar a um palmo do teto.
Passageiros de ônibus urbano e trem sentados ou em pé devem sempre segurar-se. Para evitar o desiquilíbrio ao caminhar pelo veículo ou viajar em pé, o ideal é manter uma abertura entre as pernas, deixando os pés afastados lateralmente, quase que em paralelo aos ombros. Os joelhos levemente flexionados também ajudam a amortecer os solavancos.
Motociclistas
A postura correta na motocicleta não só pode melhorar a pilotagem como garante o conforto e a saúde. O ideal é que o motociclista sinta-se bem para permanecer atento e pilotar com segurança. Sentir dores lombares ou nos ombros pode levar à distração ou à impaciência. As dicas da boa postura são manter sempre a posição da cabeça na vertical, os ombros relaxados, as mãos centralizadas segurando a manopla, os pulsos um tanto mais baixo em relação às mãos, os glúteos mais próximos do tanque de gasolina e os pés paralelos ao chão, com o pé direito sobre o pedal do freio traseiro e com os saltos dos sapatos encaixados nas pedaleiras. Para evitar dores: não forçar ombros, braços ou pulsos e não deixar a coluna vertebral em forma das letras S e C.
Ciclistas
Pedalar parece muito simples, mas o ciclista precisa se cuidar para não sentir dores. Primeiramente, fique em pé ao lado da bicicleta e ajuste o selim na altura do quadril, com uma leve inclinação para frente ou em paralelo com o chão. Sente-se para ajustar o guidão, que deve estar em uma altura que permita que as costas fiquem eretas e os braços relaxados, mas não muito próximos ao corpo para não sobrecarregar as articulações. Os joelhos devem permanecer sempre abaixo das mãos durante as pedaladas. Previna-se contra assaduras sentando-se corretamente e usando roupas que não potencializem o atrito ao executar o movimento de pedalar e que não acumulem a umidade da transpiração.
Pedestres
Assim como os ciclistas que são vítimas no trânsito, os pedestres precisam ter atenção redobrada nas ruas. O pedestre deve sempre andar na calçada, a cerca de 30 centímetros do meio fio, e atravessar na faixa de segurança. Jamais atravessar rodovias ou vias expressas fora das passarelas. A sinalização no trânsito foi feita para ser obedecida por todos.
Com uma frota de 64,8 milhões de veículos motorizados, de acordo com o levantamento feito pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) em dezembro de 2010, o Brasil tem em média um carro para cada 2,94 habitantes. Todas as pessoas que circulam pelas vias – considero aqui até os pedestres – precisam tomar cuidado.
No trânsito ter atenção é fundamental para a segurança, por isso, não saia para a rua para dirigir sem que tenha condições físicas e emocionais. Um estudo recente da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo afirma que passar 20% mais tempo preso em engarrafamentos aumenta as chances de infarto do miocárdio em 2,6 vezes. Uma coisa que todos já sabem, mas não custa repetir: se for dirigir, não beba! Qualquer outro tipo de droga que resulte em mudanças fisiológicas ou de comportamento, nem pensar. Neste momento, estou falando de dois problemas de saúde pública: as drogras e o trânsito, que quando associados tornam-se uma verdadeira bomba. Quem faz uso de remédio que provoque sonolência também precisa evitar conduzir veículo ou mesmo caminhar. Lembro que diabético com hipoglicemia grave precisa fazer exame médico com frequência para verificar se está apto a dirigir. Uma doença que também pode restringir a pessoa de conduzir veículos é a epilepsia. Para dirigir é preciso ter condições físicas e mentais.
 
Fogo Bravon

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