Coluna de: Dr. Fábio Ravaglia - Ortopedia e Saúde

Saneamento e saúde ambiental são temas abordados amplamente durante a Rio+20 – Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável. No meu dia a dia de médico lido com as questões práticas relacionadas a estes assuntos e acredito que, como em todas as discussões mais abrangentes que buscam entender e encontrar soluções para os problemas do planeta, a saúde da Terra depende também de cada um de nós. Cada vez mais tenho certeza de que a natureza precisa ser poupada e cuidada para o bem da humanidade. Venho buscando alternativas em diversos processos de trabalho para tentar contribuir para a preservação do planeta. Recentemente, participei de um congresso de ortopedia no exterior e conheci uma nova forma de cuidar de fraturas, muito mais ecológica. Trata-se de um gesso produzido a partir de plástico biodegradável e de madeira triturada. A tala, produzida na Finlândia, é preparada com materiais que facilmente são absorvidos pela natureza após o descarte e com uma série de vantagens em relação ao gesso (mineral), tradicionalmente usado em ortopedia.
Além de utilizar recursos renováveis da natureza, o novo produto tem vantagens a se considerar do ponto de vista médico: é de muito fácil aplicação e invisível ao raio X, não deixando sombras que atrapalhem a visualização do ferimento; é possível verificar com precisão sem a necessidade de retirada do material. O que os pacientes mais vão gostar? O produto é bastante leve e durável, resistindo inclusive à água e dispensando retornos para reparos. Uma alternativa bastante interessante para o gesso tradicional.
Na hora da aplicação, por mais que se tome cuidado, os resíduos do gesso tradicional entopem os encanamentos de clínicas e hospitais, causando grandes transtornos. O gesso hospitalar é um pó, preparado com a pedra bruta, transformado em pasta com a adição de água para poder ser moldado ao corpo do paciente ainda mole, ficando duro após cerca de dez minutos da aplicação. A limpeza dos resíduos da aplicação e o descarte do gesso após a retirada estão enquadrados na classe de resíduos altamente poluentes, afetando a terra, a água e o ar. Isso sem contar que, o gesso é também resíduos potencialmente infectantes, pelo possível contato com secreções do próprio paciente. Isso não ocorre com o novo produto, pois sua aplicação é feita a partir de placas que se conformam com facilidade quando aquecidas e tomam forma à temperatura ambiente, sem fazer sujeira. Na hora do descarte, o material pode ser queimado para gerar calor, por exemplo. 
O gesso tradicional é um aglomerante produzido a partir do aquecimento da gipsita, também conhecida por pedra de gesso, que é um sulfato de cálcio. A gipsita é abundante na natureza e o Brasil possui reservas desse mineral concentradas na Bahia, no Pará, em Pernambuco e em outros estados. O processo de produção do gesso para a construção civil, área na qual o material é usado há milênios, é de baixo impacto ambiental. Na medicina, a sua substituição por outro produto representaria a economia de recurso natural não renovável.
 
Outra questão a se considerar é que o gesso tradicional tem sido alvo de críticas: profissionais opõem-se ao tratamento, defendendo que o material pode constituir um potencial perigo para a saúde por potencializar o desenvolvimento de microrganismos, após aplicado nos pacientes. Além disso, a poeira do gesso que possa existir em uma sala de gesso não deve ser inalada nem pelo paciente nem pelo técnico que faz a aplicação, para evitar possíveis problemas pulmonares que o produto pode causar. Clinicamente testada, a tala produzida na Finlândia não é tóxica, além de ser amiga do ambiente e extremamente fácil de aplicar e usar.
 
Aqui no Brasil há locais que já utilizam outro tipo de produto, o gesso sintético, composto de substrato de fibra de vidro impregnado com resina de pluoretano. Da mesma forma que o gesso tradicional, quem aplica o gesso sintético precisa tomar cuidado para não inalar a poeira, que é tóxica. O processo de reciclagem do material usado é bastante trabalhoso. De outro lado, a adoção do gesso sintético traz conforto para o paciente, uma vez que é três vezes mais leve que o gesso tradicional, também resistente (evitando retornos para reparos), durável, poroso e transparente ao raio X; mas é feito de resina plástica, que leva mais de cem anos para se decompor na natureza. As crianças gostam desta novidade pelo conforto e porque o produto é apresentado em diversas cores bem alegres. Os pais nem tanto, por causa do custo. Nesse quesito, acredito que o gesso finlandês, quando produzido em escala, poderá ter preços acessíveis, mas deixo estes cálculos para empreendedores e economistas.
As imobilizações ortopédicas são tratamento importante em casos de fraturas. Elas ajudam a manter os ossos no lugar correto até que eles se regenerem. Em média, uma pessoa sustenta dois ou três ossos fraturados durante a vida. Estima-se que, nos Estados Unidos, cerca de nove milhões de pessoas se fraturam por ano. O número é estimado porque nem todos procuram serviços médicos para cuidar de ossos quebrados. Pessoas imobilizam braços e pernas em casa e esperam a ação do tempo, apesar de o recomendado ser sempre consultar um médico. Diante desses números e do grande volume de material utilizado nesses procedimentos, a natureza certamente agradece as inovações que são mais amigáveis ao meio ambiente.
Outras atitudes
O ser humano produz lixo demais. Há contaminação no solo, no ar, na água e até fora do planeta. A poluição é mais um fator que agrava a situação da saúde das pessoas no Brasil e no mundo. Cada vez mais tenho certeza de que a natureza precisa ser poupada e cuidada para o bem da humanidade. Há anos comecei a pensar pretensiosamente, imaginando que um programa de sustentabilidade adotado por grandes hospitais também poderia ser implantado em pequenas clínicas e consultórios. Com vontade de contribuir para preservar a natureza, comecei por pequenas iniciativas. Eliminei disperdícios, reduzi o consumo de papel e copo plástico. Passei a separar os resíduos e providenciar o encaminhamento do material inorgânico para reciclagem. A partir daí passei a buscar alternativas para aplicar em meu consultório.
Hoje, reduzir e reciclar é lema no mundo empresarial e, na área médica, por questões de biossegurança, é obrigatório fazer a destinação correta de resíduos hospitalares. O gerenciamento correto de resíduos e o combate ao desperdício podem ter outros aliados, principalmente, em estabelecimento dedicado à ortopedia. Enumero iniciativas que considero importantes para que profissionais da área de ortopedia adotem para contribuir para a preservação da natureza.
O ortopedista pode utilizar um moderno sistema digital para exames radiológicos que não produz impacto ambiental. Com a nova tecnologia, os resultados são apresentados em imagens digitais e as chapas de raio X, feitas de acetato e prata, materiais nocivos ao meio ambiente quando descartados em aterros sanitários. O acetato é um plástico, que demora mais de cem anos para se decompor se jogado na natureza, e a prata, um metal pesado com valor de mercado e passível de ser reaproveitado. Sem contar que a chapa de raio X depende de um processo de revelação feito com produtos químicos altamente poluentes. Na natureza, os materiais contaminam água e solo.
Para compensar o meio ambiente pelo gasto de energia elétrica, adotei um programa de plantio de árvores em área de preservação natural. O programa CarbonoNeutro®, que busca a neutralização de dióxido de carbono (CO²) emitido na atmosfera, proveniente do consumo de energia elétrica. A compensação ambiental do volume anual de gás emitido pela atividade na clínica é efetivada em associação com o Grupo Mantecorp, por meio da preservação permanente de um correspondente em metros quadrados, na fazenda Barranco Alto – uma reserva particular do patrimônio natural no Pantanal Matogrossense, destinada à formação de um corredor de biodiversidade, sob responsabilidade do Fundo para a Conservação da Onça Pintada. O dióxido de carbono produzido pela atividade humana é um dos responsáveis pelo efeito estufa, que causa o aquecimento global, provocando as mudanças climáticas que têm afetado o planeta.
Outra atitude que adotei é a reciclagem de chapas de raio X antigas, que conta com a colaboração de vocês aqui no parque Trianon.
Projeto Cidadania – Caminhadas com Segurança
O evento acontece uma vez por mês, sempre aos domingos, tendo por ponto de encontro o portão 4 do parque Trianon, em frente ao Masp, que fica na avenida Paulista, 1.578. As próximas edições estão programadas para 29 de julho, 26 de agosto, 30 de setembro, 21 de outubro, 25 de novembro e 16 de dezembro.
 
Mano Pizzaria

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