Coluna de: FESP - FACULDADE DE ENGENHARIA SÃO PAULO - Faculdade

Na visão da Engenheira Suely Bueno, especialista do setor, a retomada da construção civil depende muito mais dos profissionais do que do futuro governo
Além da recuperação muito lenta da economia, a incerteza crescente quanto aos rumos da sucessão presidencial é um dos fatores que impacta a retomada do segmento de construção civil em 2019. As contas nacionais calculadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram que a construção civil caiu 2,1% em 2014, recuou 9% em 2015, perdeu 5,6% em 2016 e cedeu 5% em 2017. Para clarear um pouco o cenário para 2019, conversei com a engenheira civil Suely Bacchereti Bueno, sócia do JKMF, um dos maiores escritórios de engenharia estrutural do país e Diretora de Normas Técnicas da ABESE (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural). Na visão dela, a atitude proativa dos profissionais é que pode fazer a diferença para o reaquecimento do setor.
Mariana Fernandez: Qual a sua visão do setor da construção civil daqui para o ano que vem, para depois das eleições?
Suely B. Bueno: Eu não sei se a gente vai conseguir através do governo mudar a situação. Eu acho que sempre, em todas as crises que a gente passou, quem andava era a iniciativa privada, agora a iniciativa privada simplesmente parou e está esperando o governo. Eu não entendo muito bem o porquê disso, já que a crise sempre foi superada porque as empresas trabalharam para isso. As empresas faziam o que tinha de ser feito, mas agora ninguém faz nada… todos estão esperando o governo, eu acho bem esquisito isso. Se, por exemplo, se eleger um representante que ninguém goste, como vai ficar? Nós não podemos depender do governo! Na minha visão, tem duas coisas que precisam mudar. Uma é o funcionário depender da lei trabalhista, porque ele é cada vez mais um espelho da lei trabalhista, do sindicato e isso não dá certo, e a outra é as empresas ficarem dependendo do governo. Se o governo vai eles vão, se não vai, não vão. Eu acho que teria que criar uma independência. Não sei como ficou tão depende, eu não sei se no governo no PT eles criaram muito incentivo, muita coisa e o pessoal acabou se acomodando e ficando preso a isso, eu não sei bem...
Mariana Fernandez: Você acha que não tem a ver com essa diminuição da malha industrial? Porque a indústria diminuiu muito.
Suely B. Bueno: Mas então, porque a indústria está esperando o governo? Esse é o problema! Porque eu acho que está todo mundo sentado esperando o governo. Sempre se trabalhou, sempre se produziu. Claro que em épocas melhores mais, épocas piores menos, mas sempre se fez tudo, sempre se exportou. A meu ver, assim que foi criado o incentivo “tal” à exportação, só exporta se tiver o incentivo, entendeu? Eu acho que foi uma coisa assim que deve estar atravancando tudo ou um certo comodismo mesmo: “ah, se eu não tiver tudo ao meu favor eu não faço”. É a mesma coisa que ocorre com um funcionário de uma empresa, ele tem todos aqueles direitos do sindicato, mas ele não fez uma vírgula a mais, o que é completamente diferente da forma com que eu fui formada, que aconteceu na minha vida enquanto eu trabalhei. Nós virávamos sábado e domingo a noite para entregarmos um projeto, com prazer. Era prazer, uma coisa que unia todos do escritório e que você, quando entregava, sentia-se tão realizado! Não sei porque hoje não existe isso. Hoje as pessoas não fazem uma vírgula a mais, não fazem! Você pode implorar… É muito difícil. 
Mariana Fernandez: Esperando retorno sempre...
Suely B. Bueno: É sempre um toma lá dá cá. Sempre. Eu acho que isso é essa cultura de sindicato. Agora que a lei trabalhista começou a dar uma afrouxada para você poder fazer alguma coisa melhor, o que está acontecendo é que todo mundo está sendo mandado embora. O pessoal vai se virar como sócios dos escritório. Não tem como sustentar isso. Não tem como.
 
Mano Pizzaria

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