Coluna de: FESP - FACULDADE DE ENGENHARIA SÃO PAULO - Faculdade

Entrevistado para o jornal da FESP, um dos professores de engenharia mais queridos pelos alunos da faculdade nos trouxe importantes relatos sobre o início da carreira desde a escolha pela engenharia
Graduado em engenharia elétrica e pós-graduação lato sensu em eletrônica industrial e Mestre em engenharia eletrônica e computação pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), o professor titular de Engenharia Elétrica da FESP, Carlos Alberto Göebel Pegollo, da mesma forma que nunca pensou em se tornar engenheiro, nunca pensou em se tornar professor. Segundo ele, nunca sequer passou pela sua cabeça dar aula, apesar de já estar na função acadêmica há 31 anos. Ambas declarações dele nos fazem refletir que, na maioria das vezes, não é possível vislumbrarmos, no presente, quais são as nossas melhores possibilidades profissionais. Pelo simples fato de não termos qualquer experiência profissional, só é possível que tenhamos mais clareza quanto ao que é ou não para nós quando decidimos nos aventurar pelas boas oportunidades que a vida nos apresenta.
“Depois que você entra na faculdade, passado o ciclo básico de engenharia, que é matemática e física, começam a entrar as matérias e conteúdos específicos. Foi nesse momento que eu comecei a amar engenharia. Nessa fase eu arrumei um estágio na CESP (Centrais Elétricas de São Paulo), fiz um concurso e passei. Trabalhei lá com linha de transmissão. Minha parte era manutenção e projeto de linha. Viajávamos quase toda semana pro campo. Aquilo pra mim foi a minha vida, foi maravilhoso! Foi ali que eu aprendi o que era a engenharia. Olhava aquelas torres e pensava “tem 500 mil volts passando ali!” 110 na tomada você já toma um tranco né? Na torre é 500 mil! É na parte técnica que você começa a amar a coisa.”
Atualmente, além de lecionar, o professor Pegollo exerce a função de coordenador de estágios e coordenador de atividades complementares dos cursos de Engenharia Elétrica, Eletrônica e de Controle e Automação. Sobre os primeiros estágios no início da carreira, em seu relato, percebemos a importância de se experimentar atuar em diversos setores, para, inclusive, descobrir onde não queremos trabalhar:
“Os estágios foram excelentes, maravilhosos. Dei muita sorte com estágio e isso que me auxiliou bastante. O primeiro foi no CET, onde a gente fazia projetos de sinalização semafórica, um estágio muito gostoso. Aí eu fiz um concurso e entrei CESP, que foi a cereja do bolo. Quando eu me formei, eu prestei um outro concurso público e passei no Incor (Instituto do Coração), passei 2, 3 anos lá, como engenheiro do Incor, mas percebi que a área médica, não era pra mim. A minha parte era toda a manutenção de estrutura. O que a gente fez lá, você não acredita! Reformamos todo o centro cirúrgico. Os pacientes tomavam choque no centro cirúrgico por causa de eletricidade estática. Foi um trabalho muito bacana. Mas nunca me atraiu também trabalhar em hospital.” 
Mais importante do que gostar de fazer contas e se interessar pelo mundo, muitas vezes imperceptível da física, para gostar de engenharia e se tornar um futuro engenheiro ou engenheira de sucesso, é fundamental gostar de atuar na parte prática:
“A engenharia não é você ficar sentado ali o dia inteiro numa escrivaninha estudando. Isso também é importante. É importantíssimo aliás a atualização do profissional, o estudo. Mas caramba, você tem que saber sair e botar a mão na massa. É disso que eu estou falando! Adianta eu projetar aqui na sua frente uma linha de transmissão bem bonita, o projeto todo, sendo que eu  nunca participei da construção dessa linha? Não a vi sendo lançada, os cabos sendo energizados... o que que eu sei? Então, tudo bem estudar, mas é aí que está a diferença entre a matemática e a física e a engenharia. Eu tenho colegas físicos, por exemplo, e sabe o que os caras estudam? Colisões de galáxias. Lindo! Uma vez eu até estava vendo, tinha duas manchas assim no computador, no notebook de um colega meu, físico, e aí eu perguntei assim pra ele: “pô professor, o que é isso aí?” E ele falou: “isso aqui é uma simulação de colisões de galáxias”. E eu falei: “puxa, que bacana. E qual é a frequência de ocorrência disso?” Daí ele falou assim: “talvez uma em um bilhão de anos!”. Então eu falei: “Puxa! Eu acho que eu não vou ver a próxima”. Mas isso que é a beleza da matemática e da física. A engenharia, não! Se você projeta agora um novo equipamento, então vamos lá, vamos fazer os testes, vamos ligar. Engenharia tem esse lado. Engenharia alia toda a parte de estudo, porque não dá pra projetar nada sem saber nada, né? Alia todo o conhecimento técnico com a parte do vamos fazer acontecer. Não precisa esperar um bilhão de anos pra testar um novo processador. É mais ou menos por aí.” 
 
 
Fogo Bravon

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