Coluna de: Dra. Denise Farinelli - CRM-SP: 120636 - Endocrinologia

A obesidade é uma doença crônica, associada ao desenvolvimento de outras patologias como diabetes, hipertensão arterial, gordura no fígado, alterações do colesterol entre outros. E existem alguns mitos em relação ao seu tratamento que podem retardar a procura de ajuda por parte do paciente para perda de peso. 
 
Mito 1
“Perder peso rapidamente predispõe a maior reganho de peso do que perder peso de maneira lenta e gradual” 
Essa afirmação surge pois muitos pacientes que realizam dietas restritivas, com rápida perda de peso, não fazem a fase de  reeducação alimentar e mudança de estilo de vida através da introdução de exercícios físicos e também abandonam o tratamento médico/nutricional sem realizar adequada manutenção.
A manutenção do peso pós dieta, não depende do tempo para atingir a meta de peso. Os estudos mostram que em dietas com perda de peso inicial mais aceleradas, os pacientes ficam mais entusiasmados, com maior aderência e tem menores taxas de abandono do tratamento. Além disso a fase de manutenção acompanhada por médico / nutricionista é essencial para o sucesso, ajuda o paciente a introduzir os hábitos saudáveis em sua rotina diária. Estratégias de retomada da dieta ao mínimo reganho de peso, auxiliam na manutenção do peso a a longo prazo, independente do tempo que levaram para emagrecer. Deve se ter em mente que precisamos de um período médio de 2 anos de manutenção de peso, para criar uma nova memória metabólica do peso magro.
 
Mito 2
“Estabelecer metas de perda de peso realistas no tratamento da obesidade é importante, porque os pacientes podem ficar frustrados e perder menos peso.”
 
Essa recomendação tem o intuito de evitar frustrações, perda da autoestima, abandono prematuro do tratamento e dificuldade para reinicia-lo novamente. Mas ao contrário deste raciocínio, pacientes com metas mais ambiciosas acabam perdendo mais peso, expectativas mais baixas impedem o engajamento e muitas vezes isso leva a sensação de incapacidade maior. 
O ideal é trabalhar com as metas desejadas pelo indivíduo e tirar o máximo proveito para melhorar a saúde, perdas de 10% do peso corporal já reduzem o risco de diabetes e metas maiores podem ser necessária para fins estéticos. As metas podem ser mudadas em qualquer fase do tratamento, o importante é iniciar o tratamento e reiniciar sempre que necessário, acredite só não terá frustações quem não tentar, o tratamento da obesidade tem muitos altos e baixos e recaídas podem acontecer, mas a persistência é o fator mais importante para o sucesso. 
 
Mito 3 
 “Só se deve começar uma dieta e buscar tratamento médico, se realmente estiver pronto para mudar seus hábitos.” 
Intuitivamente, parece lógico concluir que, se um indivíduo acredita estar psicologicamente preparado para assumir uma série de mudanças comportamentais importantes para produzir um resultado desejado, esse indivíduo experimentará maior sucesso. Existe um modelo de questionário para avaliar a “prontidão” do paciente para a realizar a dieta, classificando-o por níveis de vontade de mudar e os estudos mostraram que não há diferença entre o grupo que tem desejo elevado em relação ao grupo que refere ainda não estar pronto para mudanças, a perda e a manutenção do peso durante um programa de redução de peso, foi semelhante entre eles. 
Assim não espere o melhor momento, talvez ele nunca chegue ... Procure ajuda e persista, mudanças de estilo de vida não são fáceis e necessitam de um período de adaptação e persistência.
 
Mito 4 
“Se pesar diariamente, interfere negativamente na perda de peso.”
 
O peso corporal sofre diversas flutuações no conteúdo de água corporal total, quantidade de glicogênio e hábito intestinal, às vezes chegando a vários quilos em 24 horas. Portanto, acredita-se que para uma pessoa tentando perder peso, ao ver o ponteiro da balança em direção oposta a seus esforços possa ficar altamente desanimado, o que justifica alguns profissionais solicitar que o paciente não se pese.
Mas a  ideia de que a auto-pesagem diária não é vantajosa para o controle de peso é mais um mito. Pessoas que se pesam diariamente perdem mais peso, mantêm o peso perdido e são mais capazes de evitar ganho ou recuperação de peso do que as pessoas que não pesam.
Vamos fazer as pazes com a balança! Ela é uma grande aliada na perda e manutenção do peso.
 
Mito 5
“Trabalhar ou estudar em locais onde não há disponibilidade de alimentos saudáveis predispõe ao ganho de peso.” 
Este é mais um mito. É uma questão de escolha, talvez as escolhas mais saudáveis não sejam as mais práticas, mas é possível levar marmitas ou escolher as opções menos calóricas restaurantes ou nos deliveries.
Além disso cuidado com a rotina no ambiente de trabalho ou estudo, para não se adaptar à rotina dos colegas que podem ser inadequadas ao seu perfil, lanches e cafezinhos com brigadeiros, reuniões com pão de queijo, happy hour 3x/semana são um convite ao ganho de peso.
 
Mito 6 
“ Fazer jejum no período da manhã faz perder peso”
Estudos recentes demonstram que tomar café da manhã diariamente é protetor contra a obesidade, acredita-se que o consumo de café da manhã resulte em menos calorias totais consumidas em um dia. Ao causar maior saciedade no início do dia, o desejo de consumir alimentos mais tarde seria suficientemente menor, possivelmente devido a alterações nos hormônios relacionados à fome, como a grelina, a leptina e a insulina. Pacientes que pulam o café da manhã tem uma tendência a aumentar a ingesta calórica em outras refeições, além disso o consumo de mais calorias no final do dia, período com menor gasto energético pode levar, dependendo do tipo de alimento a maior acumulo de gordura abdominal. E você pode estar se perguntando, então jejum intermitente não funciona ? Ele funciona, mas não para todas as pessoas, para quem tem hábito de beliscar alimentos ou consumir grandes quantidades ao longo do dia, restringir o tempo de alimentação diminui o consumo calórico diário. O jejum  parece estar associado a melhora da fome em pacientes que no período alimentado restringe o consumo de carboidratos simples, mas mais estudos são necessários para definir o perfil de paciente que se beneficiaria desta estratégia.
 
Mito 7
“Consumir mais frutas e verduras levará à perda de peso ou a um menor ganho de peso, independentemente de outras mudanças no estilo de vida”
É importante notar que estamos analisando o aumento do consumo de frutas e verduras em relação ao peso corporal, e não outros aspectos da saúde ou do bem-estar como fonte de vitaminas e fibra.
Como as frutas e verduras contêm energia metabolizável, se nenhum outro aspecto do gasto energético for alterado, a adição destes alimentos sem restrição de outros, pode causar ganho de peso, devido ao balanço energético positivo e  a elevada concentração de frutose. Mas se o aumento do consumo de frutas e verduras for associada a restrição de alimentos calórico, ( menor ingesta calórica diária ) elas por serem ricas em fibras podem auxiliar na saciedade, promovendo assim perda de peso. 
Resumindo: Simplesmente aconselhar as pessoas a comerem mais frutas e verduras não reduz o peso corporal, para isso deve haver uma restrição calórica. Substituições de alimentos por vegetais também é benéfico para perda de peso, por exemplo trocar arroz por verduras. Além disso o paciente para perder peso deve evitar o consumo de frutas na forma de sucos ou nas formas “secas”, pois essas formas favorecem a ingesta excessiva. 
 
 
 
 
 
Fogo Bravon

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