Alerta na Acessibilidade: Pedra Portuguesa

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É muito comum encontrar a pavimentação em pedra portuguesa nos passeios públicos de São Paulo. Este tipo de revestimento foi um dos mais populares materiais utilizados pelo paisagismo do século XIX, devido à sua flexibilidade de montagem. O mosaico português, também conhecido como petit-pavê, é o resultado de um calcetamento de pedras de formato irregular, geralmente utilizadas para pavimentações de calçadas em padrões decorativos ou mosaicos pelo contraste entre cores. Porém, este tipo de piso é uma questão impeditiva para inúmeros paulistanos idosos, com deficiência, mulheres que utilizam salto alto e mães com carrinhos de bebê de circularem pela cidade.
Ao observar o pavimento, são nítidas as irregularidades resultantes do descolamento de peças, além da pouca aderência do piso, que resulta em quedas quando molhados. Por conta destas características, o revestimento foge das Normas de Acessibilidade a edificações, mobiliários espaços e equipamentos urbanos (ABNT 9050), que define que “os revestimento e acabamento dos passeios públicos devem ter superfície regular, firme, estável, não trepidante para dispositivos com rodas e antiderrapante, sob qualquer condição (seco ou molhado). Deve-se evitar a utilização de padronagem na superfície do piso que possa causar sensação de insegurança (por exemplo, estampas que pelo contraste de desenho ou cor possam causar a impressão de tridimensionalidade)”. 
A presidente da Comissão Permanente de Acessibilidade (CPA), Silvana Cambiaghi, garante que a troca de pavimento é vantajoso para todas as pessoas: “Observamos a mudança de comportamentos dos paulistanos na Avenida Paulista. Todos gostam de caminhar ali, pois o pavimento garante segurança por ser estável. Precisamos criar projetos que consigam unificar a acessibilidade e a história, para que a população ganhe em mobilidade e na cultura”, esclarece. 
Em Lisboa, capital de Portugal, existe um projeto arquitetônico que mescla os famosos mosaicos portugueses com caminhos e calçadas planas, garantindo um passeio confortável e calçada artística, lado a lado. Em 2015, no bairro de Campolide, moradores foram às urnas para votar pela continuidade ou substituição das calçadas de pedra portuguesa por um piso mais seguro. Resultado: 61,5% optaram por um revestimento contínuo e estável em detrimento de manter a tradição. 
O secretário municipal da pessoa com deficiência, Cid Torquato defende que a segurança dos cidadãos é primordial. “Manter as calçadas escorregadias e esburacadas com as pedras portuguesas é um anacronismo e um desrespeito aos cidadãos com deficiência, idosos e mobilidade reduzida. Devemos implantar calçadas de concreto e com faixas de acesso e estudar os locais que devam ser mantidos o histórico piso”, afirma. 
O prefeito regional da Sé, Eduardo Odloak também defende a troca das pedras portuguesas para um piso com maior acessibilidade. "Devido ao grande número de pessoas e veículos que passam na região do Centro, este tipo de piso se torna inviável por não conseguir suportar a demanda. Outro grande desafio que temos são as concessionárias que realizam obras no local e, após os serviços, não deixam o local em bom estado."  
Para que não haja descaracterização histórica, a ideia inicial é que nas áreas em frente aos prédios tombados as pedras portuguesas devem permanecer. "Como é o caso, por exemplo do Centro Cultural banco do Brasil, na rua Direita esquina com a Álvares Penteado, as pedras permanecerão. Ficará de maneira parecida com o Conjunto Nacional, na Paulista, onde há cimento próximo ao meio-fio e a manutenção das pedras junto ao edifício", finaliza Odloak.  
Até o início o das obras, a Prefeitura Regional Sé está realizando mutirões para garantir a segurança dos pedestres. Levantamento realizado estima que serão necessários 279 metros quadrados de mosaico branco, 13,84 preto, 84,70 do vermelho, além de 1.188 placas de granito para os calçadões que receberão as intervenções.
FESP FACULDADE DE ENGENHARIA SÃO PAULO

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